quarta-feira, 7 de junho de 2023

Transbordei

 Hoje eu abri fotos nossas. E chorei

Acho que quando isso acontece é um dos sinais de que o luto veio.

O luto do que eu gostaria que fôssemos

O luto de quem eu imaginei que você era

O luto de tudo que vivemos. Mas principalmente, do que não vivemos.


Talvez seja por isso que eu goste tanto de registrar os momentos

Pra lembrar depois

Pra colorir o drama do meu romance

Pra molhar o meu sorriso

Pra sentir a tristeza me atravessando enquanto lembro de você com felicidade


Talvez seja por isso também que eu goste tanto do vazio

Porque sinto que é como se ele me chamasse pra ouvir o silêncio

e silenciar o barulho


O barulho me leva pra fora

O silêncio me traz pra dentro

E se eu fico entre os dois, o entra e sai me tira de mim.


Nesses momentos sinto que é preciso mergulhar

Porque se você não entra e se mantém distraído, mesmo na beirinha, chega uma hora que a onda te leva

E eu já tomei caldo demais... Prefiro mergulhar

Mesmo que o mar esteja agitado. Ainda que seja gelado.

Pois eu sei como é a sensação de sufocar

E antes que eu sufoque, eu prefiro transbordar.


Transbordar de amor. E de ódio.

De dor. E depois de alívio.

Me transbordar em conflito. E em paz.

Escolho transbordar

porque sei que só transborda

aquele que se mantém cheio

Tô sentindo falta

 Tô sentindo falta de um "Bom dia meu amor"

De uma mensagem dizendo que tá com saudades

Ou uma foto tua aleatória numa quarta-feira nublada

Porque talvez o sol de abra

ao ver que você lembrou de mim


Tô sentindo falta de você contando os dias pra me ver

e ao me ver

Te encontrar maquiado de sorriso

e vestido de felicidade


Sinto falta de te ouvir dizer que pensou em mim a noite toda

Que lembrou das nossas histórias bobas

E que se imaginou na minha boca


Tô sentindo falta de um café da manhã na cama

Seguido de um "você fica linda acordando"

Mesmo que seja mentira

E ainda que falte o café


Sinto falta de surpresas

De um passeio aleatório

Uma janta inesperada

Ouvir tua nova música favorita

E depois te ouvir me chamando de namorada


Sinto falta dos nossos sonhos

e acho que a gente não tem porque talvez eu sonhe só

Queria que você tivesse planos pra gente

E que estar longe não fosse um nó


Talvez eu seja romântica demais

Carente e meio boba

Ou eu só queira viver um amor

Desses que tira o fôlego

a a roupa toda


Talvez eu te ame mais

Talvez eu esteja mais apaixonada

Ou mais iludida

Não sei...

Só sei que sinto falta de te sentir

sentindo a minha falta


Só sei que eu queria ser o verso de uma música tua

E ter o nome do amor da tua vida

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Sem controle

Buscamos respostas demais. O tempo todo.

Verdades inteiras

Certezas eternas

Acreditamos na ideia de que sabemos.

Mas a certeza só habita em dois lugares:

No imutável.

E no previsível.

E quase como uma piada, talvez a única certeza da vida seja a impermanência e a imprevisibilidade.

Pois até quando fazemos planos, não fazemos.

E que entediante seria viver sabendo de cada detalhe da vida antes mesmo de acontecer

A graça tá no novo.

Na mudança.

Na surpresa.

Não sabemos em que casa viveremos.

Em qual trabalho estaremos.

Nem o quanto de saúde teremos.

Não sabemos quais pessoas vão esbarrar pelo nosso caminho.

Tem gente que esbarra

e vai embora.

Tem esbarrão que vira encontro.

Tem encontro que vira café.

Tem café que vira vinho.

Tem encontro que se repete. E repete. E repete. E repete. Repete. Repete. E repete e repete de novo.

E depois vai embora.

Tem esbarrão que volta.

Esbarra de novo.

E vai embora.

Há desencontros que se encontram.

E encontros que se desencontram.

Tem gente que já esteve.

Tem gente que está.

E gente que estará.

E aí, como saber?

Aliás…

Por que saber?

Não posso saber quais paisagens meus olhos ainda contemplarão

Nem quais músicas ainda irei escutar

Ou quais comidas degustarei

E por quais calçadas vou andar

Nem dentro de quantos abraços eu ainda posso morar

Também não sei por quais motivos irei sorrir

E por quais, irei chorar.

Não sei quem sou

Muito menos quem serei.

E talvez a única coisa que eu deva realmente saber:

é que a vida é um eterno não saber.

Fluência

Te vejo.

Sinto.

O calor que me atravessa

E a beleza que envolve meus olhos

Ando.

na sua direção

com os pés soterrados no chão

Entro.

devagarinho

e sem pressa

Experimento.

O frio que arrepia a minha pele

enquanto num abraço esquenta meu corpo

Respiro.

Seguro.

e entro na imensidão

preenchida de mim mesma.

Mergulho.

Fundo.

pra que eu perceba

tudo que me balança

Retorno à superfície.

observando em volta

com a confiança e o receio

de quem adentro um oceano

Capoto.

Me desviro.

Me afogo.

Sufoco.

Volto.

Solto.

pra que o fluxo conduza meu corpo

não pra onde eu quero ir

mas pra onde eu preciso estar

Inteira dentro.

me permito ser levada

consciente dos meus medos

encorajada a enfrentar-los

e com a certeza

de que mergulhar

é melhor

do que passear na orla.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Eu sou amor

Que a gente fale sobre amor porque sentiu tanto, que precisou verbalizar.

Que eu diga que te amo. Não porque você precisa ouvir. Mas porque eu preciso muito falar.

Que o meu amor te faça se sentir amado. E ao te ver amado, eu queira ainda mais te amar.

Que eu não pense que o amor machuca, porque quem machuca são as pessoas.

O amor só sabe curar.

Que eu não acredite que amar dói, porque o que dói não é o amor, é a ausência dele.

Que eu não me anestesie de amar. Mas que eu ame até me anestesiar.

Que eu me embriague de amor, pra poder com amor, a ressaca curar.

Que eu transborde de amor, pra poder me esvaziar.

Que eu me perca de amor, pra poder me encontrar.

Que eu morra de amor, pra poder renascer.

E que quando me perguntem o que é o amor

Eu só respire fundo e sinta. Porque eu sou inteira ele.

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Cada um no seu barco

Quando eu tinha uns 16, 17 anos eu entreguei todo o meu coração pra alguém

Sem nenhum cuidado, essa pessoa deixou cair.

E ele quebrou.

E ninguém fez questão de colar.

Foi sofrido demais catar os cacos sozinha.

Foi uma dor tão grande que nada fazia parar.


Sem saber se daria conta de sentir a mesma dor de novo, eu decidi me afastar.

E vivi por um bom tempo uma vida onde sentir era um problema, criar vínculos era um erro. Eu não me permitia me atravessar.

Quis me afastar do amor das pessoas.

Porque achei que o amor doía.

Porém não percebi que a cada passo que eu me afastava dos outros eu ficava mais distante de mim.


A verdade é que eu preferi me congelar por medo.

Medo de me apaixonar.

Medo de amar demais.

Medo de ter alguém com quem eu posso contar.

E principalmente: o medo dessa pessoa me abandonar.


Ah, como é dolorido o abandono!

Aquela sensação de que você é algo que pode facilmente ser deixado pra trás.

Assim como um peso inútil numa mochila, que você larga no caminho porque cansou de carregar.


Nunca imaginei que com você eu viveria isso de novo

Afinal, estávamos no mesmo barco!

Você disse “bora atravessar até o outro lado do rio? A gente vai junto”.

Pouco tempo depois percebi que eu estava segurando os dois remos. Você não estava mais no barco.

Nem do outro lado da margem.

Nem no rio.

Nem em lugar nenhum.

Você sumiu.

E me deixou atravessando o rio sozinha.

Eu achei que estávamos no mesmo barco.

Não estávamos.

Não sei quando eu entendi errado…

Mas talvez você nunca esteja em um barco com alguém.

Talvez você só ande no seu barco.

E talvez você nunca queira atravessar o rio junto.


Lembra quando eu falei sobre ter me congelado pra me proteger?

Pois é… nessa época eu também tive um barco só meu. E não entrava no barco de mais ninguém.


Até que eu entendi que vida é a travessia. O barco é a forma como você decide percorrer a travessia. Tem momentos que é bom estar só no próprio barco, mas remar sozinho o tempo todo é cansativo, é triste e te faz em muitos momentos perder a beleza do rio.


A dor de me perceber só dentro do barco me trouxe de volta pra Giovana dos 16, 17 anos.

E junto da solidão do barco, veio o coração em cacos.

A mesma dor dilacerante de novo.

Eu havia esquecido o quanto dói!

Eu nem pensei sobre a dor.

Eu só peguei os remos e fui.

Porque eu descongelei, lembra?

Eu me aproximei das pessoas

Porque eu me aproximei de mim de novo.

Eu queria sentir, eu queria amar, eu queria atravessar junto.


Agora tô aqui, sentindo aquela dor que parece que queima o coração.

E odiando lá atrás ter topado a ideia de atravessar o rio com você.


Eu sinto

Que meu corpo inteiro voltou a sentir medo.

E até do medo eu tenho medo agora.

Porque eu sei que por muito tempo foi o medo que me fez querer remar sozinha.

"No 3 a gente mergulha"

Às vezes sinto que você não viveu a mesma história que eu.

E agora já começo a pensar se essa história realmente aconteceu.

Já não sei se minhas memórias são de quem você era ou de quem eu construí que você era.

O apego a narrativa é muito grande.

A narrativa do que poderíamos ser.

A narrativa do que fomos.

Ou a narrativa do que eu achei que fomos.

Ou do que eu quis com muita força acreditar.


Hoje já não sei se fomos.

Não sei se você foi.

Aliás, você foi. Você se foi.

Foi e nunca mais voltou.

Foi o cara que eu achei que acreditava tanto nessa relação quanto eu.

Foi o cara que eu acreditei que via o mesmo valor em todos os nossos momentos bons, assim como eu.

Foi o cara que eu imaginei que quando pensava na gente, pensava em futuro, pensava no que podíamos construir juntos e no quanto estar junto vale a pena. Mesmo nas turbulências. Afinal, voar é perigoso. Mas a ideia de poder ver o mundo de cima, de ter a possibilidade de ver a vida de uma nova maneira - e ainda acompanhado - me seduz. Achei que te seduzia também.

Quando penso na nossa relação me veem os nossos momentos de risadas juntos, nossas conversas profundas e cheias de insights, nossas danças e nossos beijos lentos.

Quando penso na nossa relação lembro do espaço de diálogo onde tudo pode ser conversado, onde o outro é ouvido e validado, onde podemos olhar pras próprias dores e dificuldades enquanto seres complexos que somos. Porque a gente gosta de se relacionar com pessoas complexas! Você sabe disso.

Quando penso em você, penso num cara carinhoso, quem sabe até apaixonado… um cara profundo e que gosta de mergulhar fundo. Um cara que escuta o outro e se importa. Um cara afim de construir uma relação pra crescer junto. Um cara que ama. Apesar de às vezes não querer.


Todas essas narrativas estão dentro de mim.

Ou estiveram...

Aos poucos começo a achar que nenhum delas foi real, que na verdade eu estava num grande deserto de alucinações.


Começo a achar que nossa relação nunca teve diálogo. Porque se tinha, como deixou de ter no momento mais difícil e mais dolorido para ambos?

Começo a achar que nossa relação nunca foi de cuidado. Porque se foi, como você me vê sangrando e não faz nada?

Começo a achar que você nunca se importou. E que nunca me amou de verdade. Porque se amou, como deixou de amar tão rápido?

Como não sente saudades?

Como consegue ser tão frio?

Me ensina?


Minha terapeuta disse que devido aos abandonos que você sofreu das suas raízes, você pode ter medo de florescer em outras terras... Você não quer entrar fundo, porque sabe que ir fundo significa ter parte da sua nutrição vindo dali.

E se depois não vier mais? E se você perder sua nutrição?

Na dúvida, é melhor não ter raiz em lugar nenhum...

Melhor que minha nutrição venha só de mim mesmo. Melhor abandonar antes de ser abandonado.

Você mesmo disse que "se apaixonar por mim foi uma escolha"... Como se escolhe sentimento? Como se decide pelo coração?

Depois você diz que não é racional!

Pois eu acho que você é! E muito.

E tem sido até agora.

O problema da razão é que ela afasta a gente do coração.

O que pode ser um bom mecanismo de defesa pra quem tem medo de ir fundo demais.

E se a teoria de que a sua dificuldade em se permitir se conectar profundamente for real, talvez ela tenha feito com que os nossos últimos 5 meses tenham sido pra você, 5 semanas.

Em uma relação de cinco semanas realmente é fácil largar. É fácil desapegar.

Você me disse que perdia celulares com constância... Talvez você não ligue muito pra isso. Acredito que perder qualquer coisa te soa como "apenas mais uma perda". E é compreensível que não ligue pra perdas. Você nasceu a partir de uma.

Mas eu ligo.

Eu realmente faço questão de não perder, de não deixar passar, de não parar de cuidar de tudo aquilo que me faz bem e que é me importante de alguma forma.

Você foi.

Você é.

E tamanha facilidade sua em deixar de lado, em me perder, me fez pensar que vivi uma grande mentira. Que nada do que aconteceu foi real. Que nossa relação foi rasa ou vazia.

Mas logo esse pensamento saiu de mim!

Imagina... nossa relação não foi rasa.

Nossa relação foi profunda.

Não tem como eu duvidar disso!

Eu tenho certeza que nossa relação foi profunda


Mas

talvez só de um lado

Você disse “no 3 a gente mergulha!”

Contou até 3 e eu me joguei.

Quando já estava inteira dentro d’água foi que percebi que você nunca entrou.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

O incrível normal

Eu não quero banalizar coisas incríveis.

Eu não sei você...

Mas eu não quero dizer que tanto faz.

Não quero falar: "Ah, normal... As pessoas são incríveis e existem coisas incríveis acontecendo a todo momento em todo lugar..." Porque não é bem assim.

Contando dos meus processos com um amigo, falei das minhas dores em relação à crença de que não sou amada, da lista que fiz das pessoas que me amam... Do quanto ando mais atenta às movimentações de carinho, às ações de amor que cada relação me traz... E contei também que reli a sua mensagem sobre a aula de dança que você me propôs e que só hoje tomei atenção à parte em que dizia: "isso é o melhor de mim que eu tenho a oferecer". Aquilo não era apenas uma aula de dança. E nem só um presente... Aquilo era uma puta demonstração de amor!

E eu demorei pra perceber. Mas percebi.

Eu segui a conversa, mas por um segundo meu amigo me interrompeu: "Calma! Eu preciso te dizer que isso é muito foda. Que incrível você ter entrado em contato com essas coisas e ter se dado conta de tudo isso... E nem foi depois de uma sessão de terapia! Você mesma olhou e validou essas demonstrações de amor, você percebeu sozinha os afetos que te permeiam... E você conseguiu ver tudo isso no meio da dor. Não foram meses depois, foi agora: você afundada em dor e luto conseguiu olhar pra tudo isso. Isso é muito foda!"

E sabe, ele tá certo: Isso é muito foda mesmo!

Aí lembrei que compartilhei vários desses meus processos com você naquela conversa na praça, assim como você também me compartilhou coisas muito fodas. Você tem uma série de reflexões, insights, questionamentos e posturas que me deixam sempre alegremente surpresa! É bonito te ouvir.

E eu acho que nunca te disse isso. Porque me acostumei.

Acostumei a me relacionar com alguém que questiona, que se escuta, se observa e está disponível a mudar.

Aliás, acho que pessoas com essas qualidades são extremamente apaixonantes!

Talvez por isso a gente tenha se apaixonado.

E aí percebi o quanto a nossa relação estava cheia disso... De conversas incríveis, de processos intensos de olhar pra si e de mais conversas incríveis sobre todos esses processos.

A gente nem se surpreende mais tanto quando escuta o outro falar sobre algo muito profundo e bonito que acessou.

O fim da nossa relação em meio a tantas qualidades, me fez pensar que talvez a gente (ou você) tenha banalizado as coisas incríveis. Como se elas não fossem tão incríveis assim ou como se pessoas incríveis e relações incríveis fossem encontradas a cada esquina...

Não são.


Você é incrível.

Eu também.

Nossa relação foi incrível.

E por mais que por alguns momentos eu não tenha dado valor à isso, hoje eu percebo a importância de não normalizar.

Às vezes me pego pensando: Se com tudo o que tínhamos essa relação perdeu o sentido, será que não é por que deixamos de enxergar e valorizar todas as qualidades que o outro tem e tudo que essa relação nos agregava?

Eu não sei.

Não sei o que se passa aí.

Não sei os seus motivos.

Não sei por que acabou.

Eu só sei que nas próximas relações eu irei tomar muito cuidado, porque...

Eu não quero banalizar coisas incríveis.

Uma relação de potências

Hoje numa mesa de bar conversando com um amigo sobre relações, não monogamia, romances antigos (e atuais) volto pra casa com as mesmas perguntas de sempre, ainda mais fortes:

Como você não percebe o valor do nosso diálogo?

Como você não vê como difícil é se relacionar com pessoas que pensam pra além do formato monogâmico padrão encaixotado?

Talvez você nunca tenha parado pra pensar em como somos livres pra nos relacionar com outras pessoas quando estamos juntos...

E como, quando isso é incômodo, a gente resolve de maneira madura em algumas conversas.

Pode ser que você nunca tenha notado o quanto vamos fundo nas nossas questões e nos nossos questionamentos.

Talvez você nunca tenha percebido como a gente se coloca disponível pra se escutar, se rever e mudar de postura…

Isso é raro.

Lembro da Priscila perguntar, ao me ver falar sorrindo sobre nós dois: “o que você sente que encontrou nele?”

E eu disse: “um lar”

Talvez por isso me doa tanto.

Parte de mim está sem teto.

Parte de mim perdeu o lar.

Parte de mim não sabe pra onde ir.

Porque parte de mim acredita que já viu e viveu o bastante pra entender a preciosidade do nosso encontro.

Quando me parece que você não consegue ver isso também, eu não consigo sentir nada além de dor.

Hoje ouvindo meu amigo falar sobre a menina que ele tá se relacionando, onde eles não conseguem conversar sobre assuntos mais densos e entrar em diálogos vulneráveis, eu pensei:

“Que loucura! Eu nunca viveria uma relação assim!”

Ao mesmo tempo o que meu amigo me relatou é o que a maioria das pessoas que eu conheço relata:

A inexistência de diálogos, a ausência de escuta, a falta de liberdade e autonomia, a não responsabilidade, a escassez de amor...

Isso é fácil de encontrar. Se acha em qualquer esquina. As relações por aí estão cheias disso.

O lugar onde a gente se relaciona é pra poucos, meu bem. E você sabe disso. Assim como sabe que não somos qualquer um. Você mesmo já disse!

Pessoas potentes se atraem e são atraídas por pessoas potentes.

Mas se pra você nossa relação é rompida ou questionada por tão pouco e apesar de tudo isso…

É porque por algum motivo o nosso jeito de enxergar as nossas potências é estranhamente diferente.

sábado, 19 de novembro de 2022

Saudade dói

Às vezes vejo você na minha mesa de café da manhã, que ainda segue com duas toalhas do jogo americano.

Também penso em você na minha cama. Sobra espaço demais quando cê não tá.

Às vezes te vejo dançando na minha sala. E fico admirando.

Te vejo fazendo café preto na cozinha. E colocando o seu por engano no meu pote. Aliás, seu café tá lá ainda.

Às vezes te vejo no chão da sala fechando um baseado enquanto tocam aquelas nossas músicas aleatórias na minha TV.

Acordo lembrando da nossa conchinha.

E fico pensando que queria te dar bom dia com cafuné no cabelo.

Te escuto cantando enquanto toma banho.

Imagino seu rosto na minha frente e logo vem a minha vontade doida de te encher de beijo.

Eu ainda faço panqueca a mais pra nós dois.

Também lembro das nossas conversas, da gente rindo junto.

E depois debatendo todas as questões existenciais da vida em papos que poderiam nunca acabar.

Lembro do seu rosto colado no meu, da respiração lenta e o beijo demorado.

Você tá aqui.

Em muitos lugares pela casa.

Em muitos lugares dentro de mim.

Eu sinto sua falta e fico perguntando como você não sente a nossa.

Como não faz tapioca de banana pensando que eu poderia estar aí tomando o café preto que eu nem gosto?

Como fica na sua sala sem nunca lembrar da gente brincando de dançar?

Esses dias passei pelo restaurante do nosso primeiro encontro, aqui na Barra.

Lembra?

Pensei em você.

Sorri de canto pensando como nosso começo foi bom.

Agora sinto saudades de quando aquele restaurante era só um restaurante.

De quando andar pela Lapa não me lembrava você.

E de quando várias músicas não me faziam chorar.

O problema da saudade são as memórias.

Porque elas veem sem pedir licença.

Lembrando tudo de bom que existiu ali.


Queria não lembrar...

Queria ter memória curta igual você.

Pra não sentir falta

da falta que você faz.

Coisas que aprendi com você

Eu queria que você soubesse que tenho mergulhado cada vez mais fundo nos meus buracos e feridas familiares sobre falta de amor, ausência de carinho e necessidade de validação - e o quanto isso afeta e repercute nas minhas relações.

Queria que você soubesse que a dança passou à ocupar um lugar muito mais importante na minha vida. Que a relação com o corpo e o outro através da dança tem me tocado cada vez mais. E que hoje eu penso inclusive na possibilidade de trabalhar com dança.

Eu queria que você soubesse que tenho observado mais o outro, o espaço e os momentos. E que tenho confrontado diariamente as minhas ideias sobre amor e os meus ideais românticos.

Eu queria que você soubesse que ando na rua prestando atenção no alinhamento da minha coluna, no encaixe do meu quadril. E que minhas dores na lombar diminuíram.

Queria que você soubesse que às vezes ponho Gilberto Gil pra tocar. E fico prestando atenção nas letras.

Também queria que você soubesse que adorei conhecer Cabo Frio. Que voltei a dançar samba. E que tenho usado limão como desodorante. E minhas amigas riem disso.

Eu queria que você soubesse que hoje sou mais atenta à minha fala, ao meu excesso de fala. Principalmente se estou numa roda com pessoas pretas.

Queria que você soubesse que voltei a escrever. Que me reconectei com o diálogo do coração e o desabafo da caneta.

Eu queria que você soubesse que voltei a pensar em procurar minha mãe, fazer as pazes e reconstruir essa relação.

Queria que você soubesse que hoje dissemino por aí a origem do termo "samba de gafieira" e tantos outros diálogos acerca de dança, arte e os recortes raciais.

Que passei a ver mais importância no debate político e em massagens na bunda.

E que tenho me aprofundado mais e procurado formas de inserir no meu trabalho a discussão sobre cidadania, revisionismo histórico e se pensar o Brasil.

Queria que você soubesse que essa é uma pequena lista das coisas que aprendi com você. Das muitas coisas que aprendi com você. E que sou extremamente grata a cada uma delas.

Brené Brown diz no especial dela que "Amar é ser vulnerável. Amar é dar seu coração à alguém e dizer: sei que posso me magoar, mas eu quero fazer isso."

Então, por fim, queria que você soubesse que eu te amei. E muito.

Doída

Do.í.da.

Doida.

Dói ser doida quando se está doída.

Dói a dor de não ser escutada

De não ter a dor ouvida

Saber que dói aqui e não dói aí

Me deixa ainda mais doída.

Ou doida.

Tudo depende pra quem dói

Ou pra quem nada dói


Pedir amor dói

Pedir amor e não receber dói mais

Pedir amor, não receber e ainda se sentir mal por pedir amor é muito doído.


Como pedir amor pode ser tão ofensivo?

Será que estamos todos doidos?

Ou será que estamos todos doídos?

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Vamo vê se vai dar certo

Minha terapeuta me disse que existe uma diferença muito grande entre
"Vamo vê se vai dá certo" e "Como que a gente faz dar certo?"
Às vezes me sinto procurando a melhor forma de fazer dar certo enquanto você segue apenas observando...
se alguma das minhas tentativas funcionará

Dizem que quando um não quer, dois não brigam.
Mas também esquecem de dizer que quando um não quer, dois não fazem as pazes.
E aí? Você quer? Brigar ou fazer as pazes?

Fico pensando no quanto eu sou exigente e o quanto eu caço motivos pra ver defeitos na gente
E isso é parte do meu coração machucado querendo se proteger
Mas o coração também sabe que o melhor remédio pro machucado é o amor.
E é essa parte que faz questão de enxergar todas as suas qualidades e tudo que tem de bom na gente
Aí eu me pego pensando: Será que você enxerga também?

Você fala tanto sobre o sistema que nos coloca individualistas e sozinhos...
Mas será que a gente tá mesmo disposto a olhar pro outro e ceder?
Ficar só é ótimo pra quem não quer mudar.
É só ficar. Só.
O coletivo exige cuidado, dedicação...
Nenhuma planta cresce se não for regada.
E eu não sei você, mas eu sempre sonhei em ter um jardim
Acho que é por isso que eu gosto de ver suas qualidades e acreditar que você floresceria tão bem no meu quintal!
Mas será que você também quer ter um jardim?
E se quer,  será que vê beleza nas minhas flores?

Ih, pronto! Lá vai a Giovana de novo querendo aprovação!
Quando um não quer, dois não fazem as pazes... Para de colocar tanto esforço pra fazer dar certo enquanto o outro só observa.
Você já sabe que isso não dá certo! Já aprendeu na relação com a sua mãe

Sabe, a verdade é que nesse mundo individualista pouca gente quer se mexer, pouca gente quer fazer dar certo, mas todo mundo quer olhar.
Então Giovana, para de se mexer um pouco e olha:
Às vezes é o que precisa pra gente ver
Se vai dar certo


segunda-feira, 29 de agosto de 2022

A DISTÂNCIA ENTRE EU E EU

Como é longe
a distância do cérebro pro corpo emocional
Nenhum sentido.
Tantos sentir.

Eu não sei o que fazer.

Ela grita
Chora
Se joga no chão

Olho a criança batendo o pé
As pessoas perguntam se vou dar picolé
"Ela tá pedindo amor"

Aliás
será que a criança precisa de amor?
ou será que ela precisa se sentir amada?

Recebi amor só quando mereci.
e quando sobrou.

Agora meu cérebro vem com esse papinho de que tem amor de graça pra todo mundo o tempo todo
A minha criança tá chorando por picolé!
E só quando o picolé vem
que o amor chega.
de birra.

"Chega de birra!"

Mas
se a nossa criança nunca morre
será que ela para de fazer birra?

E
se um dia
ela parar.
será que ela não morreu?

Minha criança fica triste de ver o amor - escasso - sendo dado à outros
Minha criança quer fazer parte das agendas
e não gosta quando as brincadeiras dela perdem pro trabalho

Faltou tanto lá atrás
que sempre falta agora
E como dar agora
o que faltou lá atrás?

Não sei.

Ela tá chorando
de novo

E não temos picolé.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

MEDO

Medo do caminhar no breu
Me sinto andando pelo espaço
Num desconhecido confortável
E que loucura pensar que o amor assusta!

Recente no calendário
Infinito em meu corpo
Às vezes sinto que te amo de muitas vidas
Ou que quero te amar pelas próximas
Aí vem o medo.
Medo de amar?
Medo de perder?
Ou medo de amar demais pra depois perder?
Logo eu, que queria me apaixonar... Agora, apaixonada, tô querendo correr.
Será que o frio na barriga da paixão
é na verdade
só medo?

Sabe aquele medo descrente? Aquele medo cético?
"É bom demais pra ser verdade"
"Será mesmo que pode existir nessa realidade algo que eu construí com tantos detalhes só no meu imaginário?"
Claro que pode.
Não é imaginação, boba!
É trabalho.
Um pouquin seu.
Um tantin meu.

.

.

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.

.

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.

.

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Desculpa o silêncio.
É que bateu saudade
...
Lembrei dos nossos encontros
Do teu ouvido me lambendo
Enquanto tua boca me encara
E o teu olhar me beija
É tão aconchegante estar em você
que a única certeza que tenho pra agora e depois:
É que eu quero me encontrar com você
Pra gente pensar junto
quando é
que a gente vai se ver

.

.

.

terça-feira, 24 de março de 2020

Abandono

Eu só queria falar sobre o quanto dói.
O quanto dói perder uma mãe
É que eu perdi a minha...
É difícil tocar a vida sem ela
Eu sinto falta
Eu sinto saudade
Eu queria tomar uma cerveja com ela pra comemorar as minhas vitórias
Eu queria um abraço dela pra consolar as minhas derrotas
Eu queria ter uma mãe pra perguntar se eu tô bem
Eu queria ter uma mãe pra me mandar corrente no whatsapp
Eu queria ter uma mãe, nem que fosse pra reclamar que o quarto tá bagunçado e que eu guardei as toalhas fora de lugar.
Eu queria ter uma mãe.
Mas eu não tenho.
Eu perdi a minha.
E perdi tem muito tempo.
A gente foi se perdendo pouco a pouco
Acho que a gente começou a se perder na falta de amor da vovó com você
A gente se perdeu mais um pouco na falta de diálogo minha e sua
E talvez a gente tenha se perdido de vez quando eu segui meu caminho
E ele não foi o que você projetou
Quando eu quis te encontrar na minha última ida à cidade
e você não quis, me doeu muito
E eu achei que nada poderia ser pior
Sempre pode.
O silêncio é sempre pior.
O abandono é sempre mais dolorido.
Você sempre foi dura comigo
porque você queria que eu fosse forte, não é?
Não precisa mais ser dura.
Eu já sou MUITO forte.

E adivinha só quem mais uma vez vai sair viva?

As pessoas estão preocupadas com a pandemia
Não há tratamento. Não há vacina.
Elas não sabem se vão sobreviver
Eu tenho certeza que eu vou.
Porque eu sou forte e posso te dizer com convicção:
É muito mais fácil sobreviver sem vacina, do que sem amor.
E eu vou sobreviver.
Mais uma vez.
Mas esse texto é sobre isso:

Eu só queria falar sobre o quanto dói.
O quanto dói perder uma mãe
viva

sábado, 29 de junho de 2019

Eu não queria lembrar

Eu nunca imaginei que seríamos amigos. E nos tornamos.
Nunca achei que ficaríamos. Ficamos.
Não sabia mais o que era paixão. Lembrei.
E não queria lembrar.
Não queria lembrar de você ao acordar.
Não queria lembrar de como gosto do teu cheiro. Do teu encaixe. Não queria lembrar disso quando eu tô com outras pessoas.
Não queria lembrar dos meus 17 anos de novo.
Não queria lembrar do quanto dói.
Porque pra mim paixão só dói. Sempre doeu. E continua doendo.
Ser a mulher forte, do coração gelado e do abraço duro sempre foi um bom slogan. E sempre gostei de andar com ele estampado por aí.

Quando, ao longo da vida, a gente não recebe todo o amor que gostaria, a gente fica com buracos. Que a gente vai cobrindo de várias formas. Do jeito que dá. É normal. Todo mundo tem buracos.
Você, do jeito que é: com a sua cabeça dura, com essa sua falsa certeza de já ter vivido tudo, com esse jeito meio grosseiro... Você tampa. Você tampa vários buracos meus.
Mesmo você não sendo o cara que eu idealizo, mesmo eu achando que você tem uma porrada de defeitos...

Sim. Eu preciso fazer uma pausa pra dizer que, apesar de essa ser a segunda vez que eu me apaixono, a primeira já faz 7 anos.
E eu mudei. Eu cresci. Eu vivi. Me descobri. E me (re)inventei. E eu tô apaixonada de um jeito muito mais maduro e consciente. Hoje eu olho de frente pras minhas fraquezas. Eu enxergo meus defeitos. Os seus também.
E mesmo com tudo isso, ainda assim você tampa.

O problema é que muitas coisas podem tampar um buraco. Mas nem tudo que tampa, preenche.

17. 24. Eu tô vivendo exatamente a mesma coisa, de uma forma completamente diferente.
Dessa vez não entrei numa paixão cega. Mas míope, com certeza. Porque coração nenhum enxerga bem.
E eu não queria lembrar...
Não queria lembrar de como é enxergar com coração.
Porque a vida me ensinou que é melhor ser a mulher do slogan. O coração frio foi sempre a minha melhor armadura. E eu já foi pra guerra algumas vezes.
E eu tô acostumada a ganhar.
Eu sempre ganhei.
Eu sempre ganho.
Menos com você.
Você sabe me tirar a armadura. Sem armadura, eu não consigo lutar.

Eu tô completamente vulnerável. Nua de um jeito que só você tá vendo.
Lembra que eu acabei de falar sobre sempre ganhar?
Pois é... Tem mais essa. Nunca tive medo de perder, porque perder nunca foi uma possibilidade pra mim.
Mas parece que... Perdi a guerra e perdi você.
Igual aos meus 17.
Igual minha primeira paixão.
Lembra? Que eu disse que não queria lembrar?
...
Porque, meu bem, eu já entreguei tudo na primeira vez. E eu tô entregando tudo de novo.
Entreguei pra pessoa errada na primeira. Tô entregando pra pessoa errada de novo.
Eu não queria que fosse assim. Sinto raiva de mim mesma.
Acho que me prendi na armadilha que eu construí.
O problema é que eu não faço ideia de como sair.
Eu só quero ser livre de novo.
Eu só quero manter meu slogan.
Mudar é bom. Mas mudanças grandes precisam de frete. E eu já sei que não vai ter e que eu vou carregar tudo sozinha. De novo.
Mas em algum lugar, eu mudei. Não queria mudar. Mas não fui eu quem mudei. Foi você que mudou algo em mim.

O que me conforta na mudança é saber que, graças a ela, por algum momento eu me vi completamente disposta a contemplar o lado bom da paixão e a viver isso de verdade.
Mas como diz o ditado: Quando um não quer, dois não amam.
Você não quis.
E tá no seu direito.

Lembra dos buracos?
Pois é... Você tampa. Mesmo me entregando muito pouco.
E é muito doído enxergar tudo isso. É muito doído enxergar teus defeitos e tudo que em ti falta e ainda assim ouvir meu coração dizer com convicção: Eu escolhi preencher. Tampar, quem escolheu, foi você.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Saudade do teu sexo

Saudade do teu sexo.
De te sentir
em pele
cheiro
corpo inteiro.
Fecho os olhos e revivo tudo em cada detalhe
tua mão apertando meu rosto e teu olhar me despindo inteira.
Lembro tão bem que consigo sentir como se estivesses aqui
mas estais longe
muito mais do que nossa vontade pode percorrer.
Dizem que o que é bom dura pouco
e durou.
Um dia. Um dia inteiro. Um dia intenso.
Nos consumimos como se não houvesse amanhã
e não houve mesmo
Queria te trazer pra cá de novo e te fazer ficar...
ficar sem roupa
sem fôlego
sem controle
sem saber como chegou
e principalmente sem saber como voltar.
Quero arrepiar cada pelo do teu corpo e lamber cada centímetro da tua pele.
Diz que vai a gente vai ter mais um dia de novo
porque
a falta do teu calor, tá me deixando fria
a falta do teu corpo, tá me deixando vazia
e a falta do teu sexo, tá me deixando louca

saudade do teu sexo


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Precisamos nos apaixonar.
"A paixão é um sentimento humano intenso e profundo, por algo ou alguém" segundo o dicionário.
Quando se fala em paixão não existe meio termo, ou você tá dentro ou você tá fora. E acho que é por isso que eu gosto tanto dessa palavra.
Mas hoje em dia parece que as pessoas estão cada vez "menos apaixonantes". Na vida, nos relacionamentos, dentro dos próprios sonhos.
Pra você se apaixonar, você precisa se entregar por inteiro.
Precisa viver todos os momentos, precisa sentir o arrepio da pele e cada gota, seja de suor ou lágrima.
E num mundo onde as relações são tão vazias, é difícil romper os padrões, é difícil se mostrar de verdade. Se já é difícil a nós mesmos aceitar os nossos defeitos, que dirá, mostrá-los aos outros.
E vamos ficando cada vez mais distantes, cada vez mais duros. Cada vez "menos apaixonantes".
Já não brilhamos os olhos ao falar das coisas que fizemos e muito menos temos a capacidade de trocar um olhar verdadeiro. Um olhar profundo, desses que a boca cala enquanto a alma conversa.
Somos rasos. Somos aparência. Estamos cada vez mais distantes de nós mesmos.
E como encontrar um outro alguém se não encontramos ainda nem o alguém mais importante da nossa vida?
A gente exige demais e entrega muito pouco.
A impressão que eu tenho é que queremos receber 100%, mas estamos dispostos a dar no máximo 50.
Sabe, eu nunca fui boa com números, mas algo dentro de mim me diz que essa conta não fecha.

O Fim

Eu nunca gostei muito da palavra "Fim".
Acho que nunca acreditei que as coisas realmente tivessem um fim.
Eu me pergunto: Se algo existe, se de alguma forma se mantém vivo, pode se dizer que teve um fim?
Prefiro usar a palavra "recomeço", pois acredito que a cada ciclo que abrimos e fechamos em nossas vidas, nos fazem abraçar recomeços!
Mas as coisas permanecem ali. Pulsantes. Eu sempre pulsarei em algum pedacinho de você e você em mim.
E tudo aquilo que passa, não acaba. Continua ali. Numa lembrança, num sorriso, uma atitude, um presente, um aprendizado ou até numa saudade que vem se avisar.
E algumas coisas até ficam presentes demais. Pra sempre.
Como alguém pode dizer que algo assim simplesmente teve um "fim"?
Estamos entrando em novos recomeços. Eu, você. Nós.
E eu queria tanto que você pudesse enxergar um pouco do jeito que eu enxergo também, sabe?!
Queria que os nossos recomeços fossem olhados com tanto carinho por você como são por mim.
Você tem ideia do quanto você faz parte do que eu sou hoje?
Eu gostaria muito que você pudesse mensurar o quão importante foi pra mim. O quanto tive momentos incríveis e muito felizes ao seu lado. O quanto me fez sentir-me amada. O quanto me fez crescer.
Eu não me arrependo de um único dia ao seu lado. Nem unzinho. Nem mesmo nos que tivemos atritos, discordâncias, distâncias. Aliás, muito menos nesses!
Reparou como a gente cresceu juntos?
Entramos tão pequenininhos nesse jogo e saímos tão grandes.
Talvez você não enxergue muito bem agora, mas logo verá também.
Durante muito tempo eu achei que você era o cara certo que me apareceu na hora errada.
Eu estava enganada. Você era o cara certo na hora certa.
Você apareceu justamente quando eu mais precisava de chacoalhões, de alguém pra me dizer "Acorda menina! Para com essas bobagens. Para de repetir esses mesmos erros! Vem cá, que eu te ensino a ser melhor! Se entrega pra mim"
E você me deu todo esse seu amor. Sem medo, sem dúvidas, sem titubear.
E foi tão genuíno, tão maravilhoso... Mas também... Vindo de você, não poderia ser diferente.
Sabe... Cada dia que passa eu me sinto mais mulher. Mais convicta, mais certa do que eu quero pra mim, mais perto dos meus sonhos.
E você sabe o quanto participou e me ajudou nesse processo de menina-mulher, né?!
Hoje posso dizer que ao seu lado andei, amadureci, aprendi, cresci.
Você me escreveu uma vez que o amor nos muda para melhor. E é verdade. Você tinha razão. O amor nos mudou MUITO.
Eu sei que trocamos muito menos palavras do que talvez queríamos no nosso último encontro, então gostaria de dizer algumas coisas:
Eu te acho um cara incrível. Aliás, acho não. Você é!
Seu coração é gigantesco, apesar de muitas vezes você tentar escondê-lo por de trás dessa barba mal feita e essa cara de homem bruto.
Você é cheio de talentos, mas acredita e aposta muito menos neles, do que deveria.
Tudo o que você faz é com amor e isso é lindo. Eu tenho muito orgulho de quem você é e queria dizer que você tem uma jornada linda e cheia de sonhos pela frente. Um dia quero estar brindando as suas conquistas, junto com você.
Voa garoto! Voa porque a vida também te deu asas! Você só talvez não as veja.
E por fim, queria que você soubesse que toda lágrima que cai do meu rosto é também de tristeza, mas principalmente de felicidade e gratidão.
Felicidade por lembrar de tudo o que passamos e dizer pra mim mesma "Que gostoso! Quantos momentos incríveis vivi na minha vida durante esses últimos anos!" e gratidão por você ter insistido na gente e você ter decidido com toda a convicção do mundo que iria entrar de corpo inteiro na minha vida.
Obrigada. Pelos dias bons e pelos ruins também. Obrigada por ter vivido e amadurecido junto comigo em cada um desses. Te amo.

04/2017