O problema é que depois de tanto me machucar com o mundo, tomei a - talvez burra - escolha de construir a minha própria armadura e junto dela engessar meu sorriso e minha expressão de contentamento perante as consequências dessa fortaleza que eu mesma crio.
Quando decretei minha mudança, mergulhei tão a fundo nela e tomei tal decisão com tamanha sobriedade que por muito pouco não me fiz acreditar. E por ser do tipo que levas as coisas adiante ante as frustrações e anseios e do tipo que não sabe viver mais ou menos; que vive de corpo inteiro até mesmo aquilo que rejeita...
Pois é... Por ser do tipo que muda constantemente e do tipo que gosta de conservar os seus inconsequentes vícios, que me fiz a mentira mais verdadeira que poderia ser. Aquela mentira deslavada e do semblante mais descarado que tenho gravado em mim. Hoje todos acreditam na máscara que visto. Hoje tenho o que por muito tempo acreditei cegamente querer. Hoje não quero.
Mas só eu. Só eu sei. Só eu sei o quanto gosto de ter a permissão pra me preocupar com alguém e fazer deste engrenagem de mim mesma e saber que minha peça também se preocupa comigo e sente a ausência da minha cumplicidade desmedida. Só eu sei o quanto gosto de carinho recíproco e de sorrir sem motivo, mas sabendo exatamente o porquê do meu sorriso. Só eu sei o quanto preciso deixar que me preencham para que nunca haja espaço que me faça deparar-me com meu completo vazio. Só eu sei o quanto sinto falta de ter essa minha parte notada e ser por ela tocada.
Enquanto isso, continuo agindo como sempre agi. Mantenho a armadura, o gesso e o disfarce. Continuo com esse jeito de quem é feliz de qualquer jeito. Meio sem jeito. Feliz mesmo sem o 'outro' jeito. Continuo esperando um colo do mesmo jeito. Esperando para ter como única resposta apenas um sorriso. Um sorriso daqueles. Daqueles sem motivo, mas que sabe-se bem o porquê se está sorrindo. Um sorriso que me faça viver o que hoje só eu sei o quanto quero ser.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Marcas tuas
Acho que foi de tanto dar murro em ponta de faca que me acostumei a ver-me sempre ensanguentada. A dor já não tem importância, acredito que tenha virado recorrente, rotineira... Ou talvez meu corpo tenha criado enfim, os anticorpos para o teu amor antígeno e, talvez por isso minha carcaça esteja já mais resistente às constantes feridas da tua faca. Os cortes deixaram vestígios do teu crime no meu corpo; mas esses já cicatrizaram, mesmo depois das inúmeras infecções hospitalares. Hoje entendo que iludia-me ao julgar tuas atitudes erradas, quando na verdade, você era errado pra mim.
Não te vejo com indiferença, entretanto não te tenho esperança. Aprendi que reciprocidade é mais utópico do que se imagina e que nem tudo que vai, necessariamente volta, mas que quando não volta, é sinal de que realmente nunca deveria ter ido. Os dias me ensinaram que não adianta; por mais forte que seja, ninguém vai contra a própria natureza. Água nunca será óleo e mesmo lado a lado; jamais misturar-se-ão de fato.
E ao me dar conta de que a cada minuto a mais, fazia-me brinquedo inconsciente teu; decidi me decidir. Tirar do papel as idealizações e fazer de verdade. Mudança nenhuma acontece em estado de inércia. E tua inércia sobre mim, tem como única resultante a minha impotência perante a ti. E eu já estava cansada demais para os teus jogos de incógnitas enquanto eu me fazia um livro aberto. Se é pra jogar aberto, tem que ser verdade, tem que ser junto. Ao sair da inércia, decidi: Não aceitaria mais tuas meias verdades ou tuas confissões fantasiosas.
Quando um não fala a mesma língua, dois não entram em acordo.
Estou satisfeita comigo ao ver que meu reflexo no espelho não me esconde mais nada e que nenhum sorriso meu será castigado por olhar cansado teu e que nenhuma lágrima minha se fará mais dolorida por sentir teu riso insensato. Quando me deixei revelar, me encontrei. Mal sabia eu que carta com destinatário é melhor remédio do que ombro amigo.
Cansei de ser porto. Hoje quero ser navio sem âncora.
Te tenho aqui, como mais uma cicatriz junto de todas as outras que um dia já me puseram. Mas não penses que fico triste pelas tuas marcas, pois só as têm, quem ainda é corajoso o suficiente para ouvir os conselhos e defender em todos as brigas o amigo que repetidas vezes se faz teu maior inimigo: o coração.
Não te vejo com indiferença, entretanto não te tenho esperança. Aprendi que reciprocidade é mais utópico do que se imagina e que nem tudo que vai, necessariamente volta, mas que quando não volta, é sinal de que realmente nunca deveria ter ido. Os dias me ensinaram que não adianta; por mais forte que seja, ninguém vai contra a própria natureza. Água nunca será óleo e mesmo lado a lado; jamais misturar-se-ão de fato.
E ao me dar conta de que a cada minuto a mais, fazia-me brinquedo inconsciente teu; decidi me decidir. Tirar do papel as idealizações e fazer de verdade. Mudança nenhuma acontece em estado de inércia. E tua inércia sobre mim, tem como única resultante a minha impotência perante a ti. E eu já estava cansada demais para os teus jogos de incógnitas enquanto eu me fazia um livro aberto. Se é pra jogar aberto, tem que ser verdade, tem que ser junto. Ao sair da inércia, decidi: Não aceitaria mais tuas meias verdades ou tuas confissões fantasiosas.
Quando um não fala a mesma língua, dois não entram em acordo.
Estou satisfeita comigo ao ver que meu reflexo no espelho não me esconde mais nada e que nenhum sorriso meu será castigado por olhar cansado teu e que nenhuma lágrima minha se fará mais dolorida por sentir teu riso insensato. Quando me deixei revelar, me encontrei. Mal sabia eu que carta com destinatário é melhor remédio do que ombro amigo.
Cansei de ser porto. Hoje quero ser navio sem âncora.
Te tenho aqui, como mais uma cicatriz junto de todas as outras que um dia já me puseram. Mas não penses que fico triste pelas tuas marcas, pois só as têm, quem ainda é corajoso o suficiente para ouvir os conselhos e defender em todos as brigas o amigo que repetidas vezes se faz teu maior inimigo: o coração.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Infelicidade normal
Estava com nenhuma vontade de ir ao cinema naquele sábado à tarde, mas parecia que tudo conspirava para que fôssemos: era o último dia em cartaz do filme que queria assistir, minha namorada havia sido "dispensada" do programa com a família e tínhamos o carro durante todo o dia. Para agradá-la, fui. Quase obrigado; mas fui.
Chegamos ao shopping, pedi para que comprasse os ingressos, a pipoca e as guloseimas extremamente doces que em nada me apeteciam. Enquanto isso eu esperaria no sofá próximo à cafeteria do cinema. Fiquei por um tempo admirando o nada, até que comecei a me sentir incomodado pela sensação de que alguém me observava. Parecia estar relativamente próximo, à minha esquerda. Virei o rosto e descobri que o admirador era Fred. Meu coração veio à boca e voltou em segundos. Perdi o fôlego quando um frio tomou-me pelo corpo todo e junto dele vieram os flashbacks. Toda a infância que passamos juntos, todas as brincadeiras, os momentos que fomos irmãos, os choros seguidos de abraços recíprocos, os dias de escola, as descobertas, os sustos.
Nos entendíamos mais que nós mesmos. Tínhamos uma ligação muito forte e a qual duvido conhecer alguém que me traga-a de volta. Éramos os amigos mais sinceros e verdadeiros que se podem ser. Me bateu saudade, nostalgia, melancolia, dor. Desejei não estar ali... Mas o destino nunca gostou de mim.
Quando me reintegrei parcialmente por dentro; tentei esboçar um tímido sorriso de pesar, não sei se consegui. Sei somente que não fui correspondido. E era mesmo muita frieza e audácia da minha parte esperar que fosse. Ele continuava ali, parado, estático, sem mover um músculo, como quem brincava de "sério", mas não tinha dúvidas que se eu estava em frangalhos pela sua presença perturbadora, ele estava muito mais. Seu sofrimento era maior e eu sabia disso.
Roberta tirou-me da hipnose chamando-me para entrar e empurrando-me contra o peito o balde de pipocas e o saco das suas malditas guloseimas. Não prestei atenção ao que disse; apenas levantei, como que mecanicamente, com as forças que me restavam e fui assistir ao filme.
Fui, mas fiquei. Fui em corpo, fiquei em alma, em espírito, em pulsação. Eu ainda permanecia lá; sentado naquele sofá, com feição de cachorro sem dono, torturando à mim mesmo pela certeza de que a maior burrada da minha vida fora aquele dia. O dia que ele disse: "Vamos ficar juntos. Eu não quero mais tua amizade, quero teu amor. E eu sei que você também quer!" e eu, com os olhos vendados pelas imposições e cobranças da sociedade egoísta, agradei ao mundo quando me neguei e rejeitei os sentimentos mais sinceros que já tivera em toda a vida. Cego, apenas afastei-o, empurrando-o pelos braços e gritando com repulsa: "Me larga Frederico, você sabe que eu não gosto dessas coisas, eu sou normal, cara! Normal!"
Chegamos ao shopping, pedi para que comprasse os ingressos, a pipoca e as guloseimas extremamente doces que em nada me apeteciam. Enquanto isso eu esperaria no sofá próximo à cafeteria do cinema. Fiquei por um tempo admirando o nada, até que comecei a me sentir incomodado pela sensação de que alguém me observava. Parecia estar relativamente próximo, à minha esquerda. Virei o rosto e descobri que o admirador era Fred. Meu coração veio à boca e voltou em segundos. Perdi o fôlego quando um frio tomou-me pelo corpo todo e junto dele vieram os flashbacks. Toda a infância que passamos juntos, todas as brincadeiras, os momentos que fomos irmãos, os choros seguidos de abraços recíprocos, os dias de escola, as descobertas, os sustos.
Nos entendíamos mais que nós mesmos. Tínhamos uma ligação muito forte e a qual duvido conhecer alguém que me traga-a de volta. Éramos os amigos mais sinceros e verdadeiros que se podem ser. Me bateu saudade, nostalgia, melancolia, dor. Desejei não estar ali... Mas o destino nunca gostou de mim.
Quando me reintegrei parcialmente por dentro; tentei esboçar um tímido sorriso de pesar, não sei se consegui. Sei somente que não fui correspondido. E era mesmo muita frieza e audácia da minha parte esperar que fosse. Ele continuava ali, parado, estático, sem mover um músculo, como quem brincava de "sério", mas não tinha dúvidas que se eu estava em frangalhos pela sua presença perturbadora, ele estava muito mais. Seu sofrimento era maior e eu sabia disso.
Roberta tirou-me da hipnose chamando-me para entrar e empurrando-me contra o peito o balde de pipocas e o saco das suas malditas guloseimas. Não prestei atenção ao que disse; apenas levantei, como que mecanicamente, com as forças que me restavam e fui assistir ao filme.
Fui, mas fiquei. Fui em corpo, fiquei em alma, em espírito, em pulsação. Eu ainda permanecia lá; sentado naquele sofá, com feição de cachorro sem dono, torturando à mim mesmo pela certeza de que a maior burrada da minha vida fora aquele dia. O dia que ele disse: "Vamos ficar juntos. Eu não quero mais tua amizade, quero teu amor. E eu sei que você também quer!" e eu, com os olhos vendados pelas imposições e cobranças da sociedade egoísta, agradei ao mundo quando me neguei e rejeitei os sentimentos mais sinceros que já tivera em toda a vida. Cego, apenas afastei-o, empurrando-o pelos braços e gritando com repulsa: "Me larga Frederico, você sabe que eu não gosto dessas coisas, eu sou normal, cara! Normal!"
terça-feira, 2 de outubro de 2012
A saudade em papel de embrulho
Vou
exemplificar:
Sabe aquela senhora, que deve ter perto de uns 80
anos, que todos os dias vai à janela e lhe cumprimenta logo cedo pela manhã,
assim que lhe vê saindo rumo ao trabalho?
-Um bom dia para o senhor!
E você responde ainda que com um sorriso
programado: "Bom dia pra você também!"
Até que num dia desses, você passa e logo depois
se dá conta de que ninguém lhe deu os cumprimentos como de costume. Olha para
atrás. A casa amarela. A janela fechada. A senhora não está mais lá.
E você sente falta.
Mesmo sendo apenas um "bom dia", mesmo
sendo rotineiro e de praxe.
Você se acostumou ao sorriso da senhora vizinha e
agora sente falta e pensa por onde anda aquela se importava com você?
É essa sensação... É essa a sensação que eu tenho
todas as vezes que você me entrega num embrulho os seus sentimentos e me vem,
tempos depois, pedindo que lhe devolva o presente.
Presente não se pede de volta, meu bem. Questão
de respeito.
sábado, 15 de setembro de 2012
Excentricidade Móvel
É verdade que levou tempo, muito tempo até ficar do jeito que sonhara. Demandou dinheiro, empenho, trabalho e trabalhadores também.
A quase obra de arte virou assunto em toda a cidade.Ouvia-se a cada dia um novo comentário sobre a excentricidade de Paulo e a mulher. Por muito tempo guardou suas economias para o feito que até mesmo os arquitetos e engenheiros se colocavam em dúvida quanto à viabilidade.
Construíram os quartos, desta vez muito mais silenciosos, possuíam isolamento acústico para pôr fim aos barulhos da cidade noturna e movimentada que tanto os incomodava. Fez-se a cozinha com decorações em verde e muitas flores, como forma de levá-los a uma fuga dos cinzentos dias urbanos. Por último a sala, com espaços reservados aos programas familiares que o chefe da família tanto sonhara por tempo e disposição para dedicar-se. Um sofá e televisão dignos de um cinema de qualidade, uma mesa de jogos, pebolim e um ambiente propício aos jantares em harmonia. O sonho estava pronto.
Em meio à folhas de papel e contas matemáticas, percebeu que além de todo o desgaste físico e mental, muito tempo da sua vida havia sido desperdiçado frente a um para-brisa. Se gastava uma hora e meia para chegar ao trabalho e duas para voltar à casa no fim do dia, já eram três horas e meia nos dias úteis. Os finais de semana no litoral lhe somavam mais cinco horas a cada semana. Se assustou ao descobrir que perdera um ano e quase oito meses em filas, nos últimos dez, desde que se mudara para a capital. Mas, estava também feliz por saber que agora poderia deixar de perder muito da sua vida. Trocaria um ano no trânsito, por um ano em família.
- Consegui!- Gritou depois de um largo sorriso ao notar que a mudança se daria no dia seguinte. Agora seria o único homem que moraria no térreo do prédio em que trabalhava e teria o seu próprio motorista, que dirigiria o mesmo sobre rodas. Se deslocariam para onde fosse preciso, sem precisar abandonar qualquer atividade no lar ou no trabalho. Não deixariam, Paulo e sua família, de viver mais nenhum minuto, parando nos sinais da vida caótica dessa falta de mobilidade urbana.
A quase obra de arte virou assunto em toda a cidade.Ouvia-se a cada dia um novo comentário sobre a excentricidade de Paulo e a mulher. Por muito tempo guardou suas economias para o feito que até mesmo os arquitetos e engenheiros se colocavam em dúvida quanto à viabilidade.
Construíram os quartos, desta vez muito mais silenciosos, possuíam isolamento acústico para pôr fim aos barulhos da cidade noturna e movimentada que tanto os incomodava. Fez-se a cozinha com decorações em verde e muitas flores, como forma de levá-los a uma fuga dos cinzentos dias urbanos. Por último a sala, com espaços reservados aos programas familiares que o chefe da família tanto sonhara por tempo e disposição para dedicar-se. Um sofá e televisão dignos de um cinema de qualidade, uma mesa de jogos, pebolim e um ambiente propício aos jantares em harmonia. O sonho estava pronto.
Em meio à folhas de papel e contas matemáticas, percebeu que além de todo o desgaste físico e mental, muito tempo da sua vida havia sido desperdiçado frente a um para-brisa. Se gastava uma hora e meia para chegar ao trabalho e duas para voltar à casa no fim do dia, já eram três horas e meia nos dias úteis. Os finais de semana no litoral lhe somavam mais cinco horas a cada semana. Se assustou ao descobrir que perdera um ano e quase oito meses em filas, nos últimos dez, desde que se mudara para a capital. Mas, estava também feliz por saber que agora poderia deixar de perder muito da sua vida. Trocaria um ano no trânsito, por um ano em família.
- Consegui!- Gritou depois de um largo sorriso ao notar que a mudança se daria no dia seguinte. Agora seria o único homem que moraria no térreo do prédio em que trabalhava e teria o seu próprio motorista, que dirigiria o mesmo sobre rodas. Se deslocariam para onde fosse preciso, sem precisar abandonar qualquer atividade no lar ou no trabalho. Não deixariam, Paulo e sua família, de viver mais nenhum minuto, parando nos sinais da vida caótica dessa falta de mobilidade urbana.
domingo, 9 de setembro de 2012
O segredo da felicidade explícita
Engraçado como as pessoas gostam de fachadas.
De falsos sentimentos e de romances fictícios.
Ficam procurando outdoors para colocar na própria sacada e neles dizer o quanto são felizes, têm dinheiro, conforto e essas porcarias modernas que dizem ter alguma utilidade.
Ficam procurando alto falantes para gritarem ao mundo que são amadas e que têm à quem amar: sejam os milhares de pseudo-amigos ou uma paixão estonteante; e efêmera.
Procuram meios de mostrar o que não são e a vida que não têm.
Como se no fim de tudo o importante fosse morrer com aquele alguém com quem você passou anos e anos cumprimentando por educação e aturando por comodismo.
Me desculpe a frieza, mas prefiro morrer sozinha! Aliás; sozinha não, junto das lembranças. Lembranças das velhas amizades, dos dias de sol, das broncas dos pais, das vezes que aprontei, das brincadeiras que dividi, dos risos que troquei, das pessoas que marquei, dos amores que guardei. Ao lembrar de tudo isso, o sorriso e a saudade serão inevitáveis.
Sabe qual a única coisa de que precisamos para termos sucesso e sermos felizes? Estarmos vivos. Apenas. O resto é tudo uma questão de imaginação e vontade de viver.
Observe mais as crianças. Brinque mais com elas, use-as como um exemplo a ser seguido e você verá que sempre buscou as coisas simples pelo caminho mais difícil.
A verdadeira felicidade está na sutileza dos momentos. E tal sutileza só é capaz de tocar àqueles que estão desprevenidos. Os que se preocupam em encontrá-la; jamais acharão-na, estão ocupados demais para isso.
Agora vai, vai dar uma volta lá fora, respirar um ar puro, olhar alguma natureza, cumprimentar o sol ou apenas pensar na vida. Vai! Tira as marcas de tensão do rosto e vai ver a vida de uma forma mais leve.
Pare de procurar a plenitude em livros de autoajuda. Há uma menininha lá no balanço da praça te esperando pra contar a fórmula de tudo que você sempre ambicionou. E olha que a menininha; felizmente, ainda só aprendeu ler os conselhos do coração
De falsos sentimentos e de romances fictícios.
Ficam procurando outdoors para colocar na própria sacada e neles dizer o quanto são felizes, têm dinheiro, conforto e essas porcarias modernas que dizem ter alguma utilidade.
Ficam procurando alto falantes para gritarem ao mundo que são amadas e que têm à quem amar: sejam os milhares de pseudo-amigos ou uma paixão estonteante; e efêmera.
Procuram meios de mostrar o que não são e a vida que não têm.
Como se no fim de tudo o importante fosse morrer com aquele alguém com quem você passou anos e anos cumprimentando por educação e aturando por comodismo.
Me desculpe a frieza, mas prefiro morrer sozinha! Aliás; sozinha não, junto das lembranças. Lembranças das velhas amizades, dos dias de sol, das broncas dos pais, das vezes que aprontei, das brincadeiras que dividi, dos risos que troquei, das pessoas que marquei, dos amores que guardei. Ao lembrar de tudo isso, o sorriso e a saudade serão inevitáveis.
Sabe qual a única coisa de que precisamos para termos sucesso e sermos felizes? Estarmos vivos. Apenas. O resto é tudo uma questão de imaginação e vontade de viver.
Observe mais as crianças. Brinque mais com elas, use-as como um exemplo a ser seguido e você verá que sempre buscou as coisas simples pelo caminho mais difícil.
A verdadeira felicidade está na sutileza dos momentos. E tal sutileza só é capaz de tocar àqueles que estão desprevenidos. Os que se preocupam em encontrá-la; jamais acharão-na, estão ocupados demais para isso.
Agora vai, vai dar uma volta lá fora, respirar um ar puro, olhar alguma natureza, cumprimentar o sol ou apenas pensar na vida. Vai! Tira as marcas de tensão do rosto e vai ver a vida de uma forma mais leve.
Pare de procurar a plenitude em livros de autoajuda. Há uma menininha lá no balanço da praça te esperando pra contar a fórmula de tudo que você sempre ambicionou. E olha que a menininha; felizmente, ainda só aprendeu ler os conselhos do coração
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Jogo Limpo
Foi por ver teu sorriso acompanhado que tomei a decisão de me afastar.
Não me afastar por completo; é claro, isso seria impossível para mim. Mas me afastar do rumo a que estou dando as coisas.
Me afastar dessa turbulência. Não sei viver com ela e uma vez dentro, não sei sair de nenhuma forma que não seja perdendo o controle da aeronave e colidindo com o solo.
E foi por ver teu sorriso acompanhado que me dei conta da minha real insignificância e impotência.
Não é a primeira vez. Já sei como funcionam as regras e quem sempre sai perdendo.
E de fato não é época para se ter o sangue frio do blefe em apostas milionárias. Mesmo eu gostando do risco, mesmo eu sendo obcecada pela adrenalina.
Já conheço a mesa e os adversários e preciso alertar à mim mesma que é hora de jogar com sabedoria e ciente do quanto demorei pra ter minhas fichas de volta e que não devo entrar na mesma dívida mais uma vez.
Que se danem os sentimentos! Nunca me mostraram bons argumentos ou motivos razoáveis para dar-lhes credibilidade. Muito pelo contrário.
Está tomada minha decisão e você não me levará à falência. Não desta vez.
Agora preciso me afastar, me afastar enquanto é tempo. Mas sem abandonar a mesa.
Mesmo porque estou longe de me recuperar do vício.
É necessário apenas que eu tenha os pés no chão e a consciência de que você ainda é o dono do cassino.
Não me afastar por completo; é claro, isso seria impossível para mim. Mas me afastar do rumo a que estou dando as coisas.
Me afastar dessa turbulência. Não sei viver com ela e uma vez dentro, não sei sair de nenhuma forma que não seja perdendo o controle da aeronave e colidindo com o solo.
E foi por ver teu sorriso acompanhado que me dei conta da minha real insignificância e impotência.
Não é a primeira vez. Já sei como funcionam as regras e quem sempre sai perdendo.
E de fato não é época para se ter o sangue frio do blefe em apostas milionárias. Mesmo eu gostando do risco, mesmo eu sendo obcecada pela adrenalina.
Já conheço a mesa e os adversários e preciso alertar à mim mesma que é hora de jogar com sabedoria e ciente do quanto demorei pra ter minhas fichas de volta e que não devo entrar na mesma dívida mais uma vez.
Que se danem os sentimentos! Nunca me mostraram bons argumentos ou motivos razoáveis para dar-lhes credibilidade. Muito pelo contrário.
Está tomada minha decisão e você não me levará à falência. Não desta vez.
Agora preciso me afastar, me afastar enquanto é tempo. Mas sem abandonar a mesa.
Mesmo porque estou longe de me recuperar do vício.
É necessário apenas que eu tenha os pés no chão e a consciência de que você ainda é o dono do cassino.
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